quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Antropologia, Epistemologia e Axiologia: Conceitos da Educação





Quando falamos do estudo do modo de vida da humanidade, falamos de Antropologia, termo originário do grego anthropos (homem) e logos (teoria ciência), e no caso da Educação, estudamos o modelo de cidadão a ser formado, que no decorrer do tempo foi sendo alterado. No inicio a visão era a essencialista, que via no ser uma essência imutável. Platão acreditava que a verdadeira educação libertaria o ser e mostraria a essência verdadeira no mundo das ideias, enquanto Aristóteles em suas obras, dizia que a educação deveria ser voltada para a formação do cidadão, bom e dotado de qualidades para compor a cidade. Nesse mesmo pensamento de Aristóteles, temos São Tomás de Aquino, que adaptou suas obras para a moral católica cristã, voltada para a fé e a vida após a morte. Com o fim da era Medieval, surge a concepção Naturalista (Científica) que enxerga apenas o conhecimento científico como o único válido, e busca uma educação voltada para o desenvolvimento tecnológico e de controle da natureza. Nessa visão o homem é visto como uma maquina, surgem diversas teorias que reforçam essa ideia, como o Behaviorismo (Watson, Skinner) e o Positivismo (Comte). O Naturalismo enxerga na pessoa uma maquina, e não reconhece a subjetividade do ser, seus sentimentos e sua história de vida, então contradizendo essa visão, surge a concepção Histórico –Social, que tem inicio com Rosseau e Hegel, com ideia que somos seres no tempo, e que  nossa história é resultado do nosso desenvolvimento, diante disso surge o construtivismo, que coloca o aluno no foco da educação.
Na educação existem varias visões sobre o conhecimento, estudado pela Epistemologia, do grego episteme (ciência), que nada mais é, que a teoria do conhecimento, no nosso caso, a teoria do conhecimento pedagógico. A fonte de todo esse conhecimento possui duas tendências que marcaram a reflexão filosófica, o Inatísmo (Racionalismo) de Descartes, e o Epirísmo de Locke. O inatismo identifica o conhecimento como Inato, já presente na alma, e utiliza como base para a sua teoria o pensamento, que gerado pela razão, seria a prova da existência do espirito (Penso, Logo Existo). Em contradição a essa concepção o Epirísmo de Locke, coloca a produção do conhecimento a partir do experimento, no caso, seriamos como uma tabula rasa, e só através da vivencia (sensação) produziríamos o conhecimento (reflexão). Essas concepções são muito contestadas, pelos que acreditam numa visão contemporânea, que respeita o nível de conhecimento do individuo, e busca criar situações para o melhor desenvolvimento do ser.
Como seres com diferentes histórias e vivencias, produzimos valores, e identificamos algo que não é indiferente para as nossas ações, formando opiniões e identificando prioridades. Para discutirmos esse assunto utilizamos a Axiologia, do grego axia (valor de alguma coisa), que é a teoria dos valores. Nossos valores estão em tudo o que fazemos, eles são produzidos pelas nossas relações com o mundo e pela herança deixada pelos nossos antepassados. Ao falar de valores, identificamos na educação três essências, a Educação Moral, Educação política e a Educação Estética. A Educação Moral seria a apropriação real do conhecimento para a formação de um cidadão crítico, capaz de rever valores herdados e estabelecer mudanças carregadas de solidariedade e reciprocidade. A Educação Política deve formar a pessoa para a real cidadania, fazendo-o enxergar seus direitos e deveres e sua importância na vida política na sociedade. E por fim a Educação Estética deve buscar através da arte a ampliação da visão de mundo e do reconhecimento das subjetividades do ser, e fazendo com que seja capaz a criação de novas relações entre os sentidos.    


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Filosofando a Educação.

O mundo pode ser visto por diversas perspectivas, baseado nas diferentes áreas do conhecimento, seja religioso, científico, artístico, do senso comum e filosófico. Essas áreas do conhecimento explicam da sua maneira, sua visão de mundo, e qual o sentido da vida e das coisas, porém uma dessas vem exatamente ao contrário, questionar esse ponto de vista, que é a filosofia.
A filosofia como área do conhecimento passeia por todas as outras e estuda os diversos tipos de saber e agir. Essa interdisciplinaridade é importantíssima para uma reflexão crítica sobre os problemas da sociedade. Na área da educação não é diferente, e a filosofia, questionando a ação pedagógica, nos convida a repensar sobre nossas ações como profissionais da educação.
A frase ‘’ a verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo’’, faz todo o sentido, quando nós professores, também na condição de intelectual transformador, nos questionamos em relação a qual tipo de educador seremos. Nossa ação pedagógica deve ir além da transmissão de conhecimento, agindo também como instrumento de reflexão e crítica desses conhecimentos, e de toda a herança cultural. A prática exige clareza quanto às teorias utilizadas, além do que e de como ensinamos, pois implicará diretamente na formação do individuo e da sociedade.
Somos seres inseridos em diferentes contextos políticos e econômicos, e utilizamos nossos valores para a produção da nossa existência, valores nos quais enxergamos o mundo, onde a escola é fundamental na construção desse olhar, pois a mediação do educador nesse processo possibilita ao aluno a oportunidade de reaprender a ver o seu mundo e a construir seu futuro com maior dignidade.